A casa própria é um sonho de muitas pessoas, proporciona tranquilidade, autorrealização e sensação de segurança ao pensar que possui um teto seu para viver.

Além dos fatos emocionais, a casa própria está vinculada a fatores culturais e históricos, passado de geração para geração, confirmado pelo ditado “quem casa, quer casa”.

Mas, será que é a melhor opção em relação a investimento e a uma vida equilibrada?

Até a década de 70 a maior parte da população brasileira morava em áreas rurais, e a partir desta época as cidades começaram a crescer vertiginosamente. Como na época o sistema financeiro era pouco confiável e complicado, quem tinha oportunidade de poupar comprava terrenos e imóveis, mais por falta de opção do que por certeza de ganhos.

“Como as cidades estava em franco crescimento em todas as regiões do país, quem optou por imóveis e terras como investimento viu seu patrimônio se multiplicar facilmente. O enriquecimento era um processo praticamente automático, pois comprar terras era uma decisão unânime de quem ganhava mais do que consumia. Era só comprar e esperar” (CERBASI, 2008).

Por isso, muitos pais e avós incentivavam e incentivam até os dias atuais a compra de imóveis, porque acreditam ser um investimento com retorno garantido, mas o cenário mudou, muitas cidades pararam de crescer, e muitos imóveis desvalorizaram-se ao invés de valorizar. Hoje investir em imóvel requer pesquisa, paciência e seletividade.

Outro fator a ser considerado é como irá comprar, se for depender de financiamento, a taxa de juros no Brasil é altíssima, salvo exceções, paga normalmente o dobro do valor do imóvel, além de comprometer grande parte da renda e por períodos longos, criando vínculos que por vezes limitam novas experiências, oportunidades de trabalho em outras cidades, ficam presos a um lugar que às vezes não é o que esperava, portanto, neste panorama o aluguel pode ser considerado uma boa alternativa e não como dinheiro desperdiçado.

Em um cenário onde possua o valor para comprar o imóvel, na dúvida se deve comprar ou investir em outras opções, calcule a taxa de aluguel mensal, divida o preço do aluguel pelo valor do imóvel e multiplique por 100.⠀Se a taxa for superior ao investimento em aplicações financeiras, vale a pena comprar o imóvel. Do contrário, alugue e invista seu dinheiro.

Ponderação realizada levando em conta a relação com o dinheiro, de fazê-lo trabalhar para si, ao invés, de passar a vida correndo atrás dele.

Entende-se que fatores emocionais e psicológicos devem ser considerados, para alguns o imóvel é sinônimo de vida feliz, então se possui o valor para comprar ou parte para dar de entrada, diminuindo o valor e prazo de financiamento, e analisando demais variáveis citadas acima, pode significar uma conquista, o propósito não é desestimular a compra da casa própria, mas enfatizar a necessidade do planejamento.

Devido ao consumo patrocinado oferecido pelos bancos na última década, muitas pessoas hoje pagam um preço caro por esta abertura excessiva de crédito, sem oferecer o mínimo de conhecimento financeiro para a população, que acaba contratando sem saber o que realmente está pagando.

O importante é sempre ter no seu entendimento a necessidade de planejar e levantar os prós e contra antes de tomar uma decisão, decisões precipitadas podem transformar no médio, longo prazo um sonho em frustração.

Por gerações mais conscientes da utilização dos recursos de forma sustentável.